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O poder da batuta

Cercada de mitos, a funo de um maestro to essencial quando a dos msicos para o funcionamento de uma orquestra

Junto aos primeiros acordes produzidos pelos instrumentos, comeam os gestos. Quem j foi a um concerto de msica erudita sabe que uma orquestra sempre tem um maestro para reg-la. Contudo, o trabalho desse profissional, para a maioria das pessoas, ainda pouco compreendido. Quando algum se pergunta por que ele est ali, dificilmente vem uma resposta concreta est ali porque sempre esteve. Mal sabem os espectadores que, aquela pessoa em p, que, para os desavisados, parece balanar os braos em ritmo extico, tem um papel essencial no desempenho da orquestra.

Alguns afirmam que o maestro o representante do grupo de msicos. frente, ele representa a unidade da orquestra e responde em nome de todos. Sim, verdade. Mas tambm no s isso. O trabalho dele vai mais alm: dar forma msica executada. De acordo com o Dicionrio Grove de Msica, o maestro dirige o desempenho musical atravs de gestos, que devem garantir a coerncia e a unidade de execuo e interpretao. Com a ajuda de um pequeno basto, chamado batuta, o maestro conduz os demais msicos de maneira a serem fiel msica, na hora da apresentao. Ao longo dela, muitas questes s so resolvidas graas ao trabalho do regente. A primeira coisa pela qual o maestro responsvel pela questo rtmica. Manter as pessoas todas em um mesmo ritmo em uma orquestra grande, de 80 pessoas, por exemplo, sem um maestro, complicado, explica Lanfranco Marcelletti Jr., maestro da Orquestra Criana Cidad.

Alm do ritmo, existem outras caractersticas da msica que so controladas pelo maestro, como a velocidade, a intensidade do som e a entrada dos respectivos naipes tipos de instrumentos. O maestro no tem, aparentemente, participao ativa na msica, mas justamente o contrrio. O maestro d a unidade, a velocidade, a atmosfera emocional da msica. ele que vai definir como o som vai chegar at o pblico, porque trabalha a dinmica e a interpretao da msica, diz Jos Renato Acciolly, regente da Orquestra Sinfnica Jovem do Conservatrio Pernambucano de Msica (CPM). At mesmo em grupos populares, como em orquestras de frevo, o maestro se faz necessrio. Antes do maestro comear a reger a orquestra, as notas musicais esto inertes nas partituras. Quando ele comea a reger e faz os gestos, ele traduz para o pblico aquela obra musical, afirma Ademir Arajo, o Maestro Formiga. um trabalho delicado, por que o maestro regula a produo do som, apesar de no ser ele quem o produz, acrescenta Jos Renato.

ONDE TUDO COMEOU

O tipo de regncia que se conhece atualmente surgiu por volta do sculo XIX. No entanto, a demarcao do ritmo de uma performance por algum parece vir de muito antes. Estima-se que grupos musicais antigos da Idade Mdia e at da Grcia Antiga possuam uma pessoa frente do conjunto dando ritmo execuo. A marcao do ritmo j bem antiga. Nos coros antigos, do sculo XVI, existia sempre uma pessoa com um ferro batendo no cho, para marcar o ritmo, afirma Lanfranco. Um sculo depois, j se v o regente empunhando folhas de papel em forma de rolo para dar ritmo ao grupo, em vez de bater com as mos ou bater um objeto no solo.

No sculo XVIII, surgiu uma espcie diferente de maestro, o Maestro al cembalo. Como a prpria traduo do nome indica, em italiano, o conjunto musical, poca, era regido pelo integrante que toca o cravo espcie de piano antigo e reduzido. Mais adiante, o pianista ou o primeiro violinista o spalla tornou-se o responsvel por esse papel. Mas o crescimento dos grupos impediu que o costume continuasse dessa maneira. Os regentes comearam a ser necessrios por volta de 1800, com Beethoven. Com peas complexas e grupos muito grandes, a pessoa sentada l atrs no era vista por quem estava l na frente. Ento comeou a nascer essa necessidade, explica o maestro dos Meninos do Coque. Quando os conjuntos eram menores, existia um lder do prprio grupo para fazer a conduo. Com o surgimento de conjuntos maiores, com mais de 50 msicos, se fez necessria a presena de um regente, reitera Jos Renato.

ELES TM A FORA

Os maestros, alm de representarem o grupo, funcionam como diretores musicais. Eles do o toque especial, de originalidade, msica. Mesmo com fidelidade s obras, eles ainda tm grande espao para quase brincarem com ela. Mas, para isso, preciso uma boa bagagem. O ideal que o maestro seja um grande instrumentista. Tambm preciso que ele tenha um conhecimento geral dos instrumentos. No entanto, ainda assim, hoje existem os cursos de regncia, para quem quer estudar exatamente para ser maestro, explica Jos Renato. As escolas de regncia s surgiram depois da Segunda Guerra Mundial. O regente, antigamente, costumava ser o prprio compositor da pea ou instrumentistas muito bons. importante que eles toquem um instrumento, complementa Marcelletti.

Nos cursos de regncia, aprendem-se todas as tcnicas necessrias para se reger um grupo, desde as particularidades dos naipes, a harmonia dos instrumentos entre si e os gestos necessrios para a maestria. A gesticulao faz todo o diferencial na hora de conduzir o grupo. Ainda que existam regras universais para regncia, nada impede que alguns maestros acrescentem gestos prprios, que particularizam e do liberdade a sua maneira de reger. Ns somos filtros, de certa forma. Por mais que tenhamos um compromisso com o compositor, duas interpretaes nunca so iguais, afirma Lanfranco. Segundo Jos Renato, o estilo prprio surge com o passar do tempo, o que garante que as escolas de regncia sejam apenas um ponto de partida para quem quer seguir na profisso. Na prtica, voc sempre incorpora novos gestos. E aquilo reflete o que voc tem em mente. Com o tempo, a gente vai ganhando mais experincia e naturalidade, afirma o maestro.

Enquanto autoridade musical, o maestro deve lidar ainda com outros aspectos que vo alm da msica e das suas propriedades. O maestro no condutor s da msica. Ele tambm o condutor do conjunto, que tem ajustes a serem feitos, como em todo e qualquer conjunto humano, explica Jos Renato. Embora a figura do maestro seja, muitas vezes, temida por parte dos msicos, preciso que haja liberdade para dilogo, o que facilitar o entrosamento musical e pessoal. O tipo de som que a orquestra faz tem muito a ver com a interao do maestro com os msicos. Se h um bom relacionamento, os msicos tocam mais felizes. E se eles tocam assim, a probabilidade deles tocarem melhor mais provvel, diz Acciolly.

O OUTRO LADO DA RELAO

Se, por um lado, o maestro conduz e induz uma interpretao da orquestra, preciso entender como ela funciona de perto. Uma orquestra completa possui quatro famlias de instrumentos: as cordas, as madeiras, os metais e a percusso. Um conjunto de cmara com poucos msicos, feita para tocar em ambientes pequenos se resume basicamente quase que s cordas. J em conjuntos sinfnicos para um pblico muito extenso existem uma variedade maior de instrumentos, os quais se acrescentam as madeiras como flauta, clarinete, obo e fagote e os metais trombone, trompete, corneta, entre outros. A percusso possui instrumentos como o bumbo, tmpanos, vibrafone e xilofone.

O trabalho do maestro juntar todos os instrumentos de forma harmoniosa. E isso no uma tarefa fcil. Em um conjunto sinfnico, quando o spalla comea, nem todo mundo tem condies de ver, porque esto todos sentados. O espao entre o spalla e o timpanista, que est l no fundo, muito grande. Ento, realmente, fica difcil se no houvesse um maestro, diz Jos Renato.

Sempre indicando o ritmo da msica, a entrada dos instrumentos e a intensidade do som, o maestro acabar por ser o responsvel pela execuo da msica, mesmo sem emitir nenhum som. A funo no s juntar as pessoas, mas dar um sentido partitura, dar forma a ela. O compositor escreve tudo o que ele quer no papel, e o regente vem para entender o que ele queria e tornar real, criando a execuo, afirma Lanfranco. Nada mais digno do que bravos e muitos aplausos.

Aprendendo sobre o trabalho do maestro

A mo direita , geralmente, a que segura a batuta. No entanto, em algumas excees, ela pode ser vista na mo esquerda.

O compasso indica qual o ritmo da msica. Ele pode ser simples, composto ou irregular. Em cada grupo, o compasso ainda possui subdivises. Entre os mais comuns esto binrio, ternrio ou quaternrio. Afirmar que um compasso binrio, muito popular em marchas e hinos, significa dizer que a msica composta por grupos repetidos de dois tempos. O mesmo vlido para o ternrio compasso muito usado em valsas e para o quaternrio compasso usado na maioria das msicas, especialmente as populares.

A mo direita do maestro responsvel pela velocidade da msica e pela dinmica se o som deve sair mais forte ou mais piano. Piano, em italiano, significa baixo ou leve.

J a mo esquerda possui mais flexibilidade. Ela vai indicar a entrada dos naipes de instrumentos, alm de controlar a articulao se as notas vo ser mais breves ou mais longas e a pontuao, que tambm chamada de fraseado o modo como a poesia da msica deve ser recitada.

PRXIMOS CONCERTOS

19/08/2017

Concerto comemorativo de 11 anos da Orquestra Criana Cidad

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