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Um mundo de cultura e desafios

Quem se aventura a percorrer os caminhos da msica profissional se depara com dificuldades e recompensas. Recife, celeiro de novos artistas, oferece oportunidades. Para aproveit-las, dedicao fundamental

Nas ruas, nas casas, nos meios de transportes, em fones de ouvidos ou amplificadores a msica est em todo lugar. Mdicos psicoterapeutas norte-americanos e europeus, cientes das possibilidades de cura atravs dos sons, apostam no que se chama de musicoterapia. Ao redor do mundo, estudos cientficos tambm comprovam o poder das notas musicais. Mais perto, Pernambuco a prova de que as manifestaes musicais so muito presentes e fazem diferena na vida das pessoas.

Em cada eixo do Estado, pode-se perceber uma diversidade de ritmos bastante rica. O som do frevo ecoa pelas ladeiras de Olinda e no bairro do Recife Antigo; a profuso de cultura traz o maracatu na Praa do Arsenal da Marinha e o samba na Rua da Moeda, alm do rock e da msica alternativa espalhados pelos bares do local. O forr, por outro lado, j marca folclrica pernambucana. Nos morros, ritmos como o brega e o funk movem a grande massa e geram polmica a partir de letras de duplo sentido.

A msica clssica tambm integra o cenrio cultural pernambucano. Grandes festivais e
apresentaes garantem a divulgao do estilo. O Virtuosi, com suas edies nas cidades de Gravat, Serra Talhada e Recife, um dos eventos que renem msicos eruditos nacionais e internacionais e segue a proposta de espalhar o gosto pelo gnero. Verdadeiro celeiro cultural, a cidade do Recife , reconhecidamente, palco de manifestaes e nascimentos de grupos que, volta e meia, alam sucesso de pblico e de crtica. Segundo o doutor em Comunicao e Cultura Contempornea e ex-curador do festival Abril pro Rock, no Recife, Bruno Nogueira, o surgimento das bandas no Estado sazonal. Recife acabou de sair de um perodo meio parado e est entrando numa fase em que h um surgimento significativo de bandas. Isso depende muito de determinadas pocas do ano, afirma.

Em meio a um caldeiro de estilos, o Estado ainda sofre com a falta de incentivo s produes fonogrficas. A lei de incentivo cultura ainda a grande muleta das bandas pernambucanas, explica Nogueira. A iniciativa de empresas privadas quase escassa, por isso, bandas que esto comeando recorrem, normalmente, aos editais publicados pelo governo para produzir CDs e DVDs.

Outro problema citado por Bruno Nogueira a desvalorizao das produes culturais. As pessoas acham que vale a pena baixar msicas de pssima qualidade na internet em vez de pagar pelo trabalho que o artista teve para produzir o projeto. Ele tambm explica que a falta de ateno das pessoas com a msica resulta de uma m educao de base. A volta do ensino de msica nas escolas, para Nogueira, no deve ser uma disciplina para formar msicos, mas para ensinar a apreciar a arte. S a educao de base capaz de fazer a massa valorizar o produto cultural.

MSICA X INTERNET

A internet, permeada por redes sociais e aplicativos, ajuda os artistas na misso de vender o produto final: as msicas. Atravs dos downloads e sites de transmisso de vdeos, muitos msicos fazem sucesso atualmente.

A reclamao maior parte das gravadoras, que perderam espao no mercado de CDs e DVDs devido aos recorrentes downloads. Para evitar a pirataria e a reproduo gratuita, as gravadoras recorrem ao copyright, denominao utilizada em referncia aos direitos autorais de obras intelectuais, que podem ser literrias, artsticas ou cientficas. Porm, mesmo com a proteo dos direitos, o compartilhamento de dados continua forte, e o nmero de endereos eletrnicos para baixar msicas cada vez mais crescente.

A internet ajuda o msico, mas no, necessariamente, a msica. Quando voc abre oportunidade para todo mundo, corre o risco de se deparar com muita msica ruim. Com isso, temos quantidade, mas no qualidade, comenta Bruno Nogueira.

COMO FUNCIONA A LEI DE INCENTIVO CULTURA...

A lei de Incentivo a Cultura, conhecida com Lei Rouanet, foi sancionada em 23 de dezembro de 1991 e prev polticas pblicas que regulamentem o auxlio cultura nacional. A lei garante, tambm, a proteo, promoo e valorizao das manifestaes culturais brasileiras.

Atravs da poltica de incentivos fiscais, a Lei Rouanet possibilita que pessoas fsicas e jurdicas invistam uma parte do imposto de renda nas produes culturais. De acordo com o Ministrio da Cultura (MinC), o percentual disponvel de 6% do imposto de renda para pessoas fsicas e 4% para pessoas jurdicas permitiu que, em 2008, fossem investidos mais de R$ 1 bilho no setor.

Para participar da seleo, necessrio ficar atento ao prazo dos editais e aos documentos necessrios para incluso dos projetos. No site do Ministrio da Cultura (www.cultura.gov.br), esto disponveis mais informaes sobre a Lei Rouanet e inscries.

A BUSCA PELO SUCESSO

O interesse pela msica est presente em quase todas as pessoas. H quem sinta admirao pela arte; em outros casos, o gosto vai mais alm e desperta a vocao musical. Eis um ponto-chave para fazer da msica um estilo de vida. No entanto, alguns se deparam com uma aptido e sentem receio de no conseguir o reconhecimento esperado pela falta de trabalho e de retorno financeiro. Segundo depoimentos de msicos que foram em frente e apostaram na carreira, o caminho no nada fcil mas no , no entanto, impossvel.

Na verdade, profissionalismo na msica requer entrega de corpo e alma e dedicao integral. Em alguns casos, o msico passa por situaes chatas at mesmo constrangedoras para receber um salrio estvel. O caminho difcil, principalmente, para os que seguem carreira independente. preciso ir muito alm do bvio. O msico no pode ter medo de ouvir um no, opina Nogueira.

O especialista tambm fala que os artistas devem ter a conscincia de que a rea tem um retorno financeiro muito lento. Sabe-se que o mercado muito concorrido e avassalador. Para suprir as necessidades, o msico deve procurar outros meios de ganhar dinheiro. Opes viveis so dar aulas, compor msicas para apresentaes teatrais, filmes ou cantores, criar jingles publicitrios ou se dedicar ao estudo acadmico. Para o msico que pensa na vida acadmica, h vrias atividades possveis: instrumentista, regente, cantor, percursionista e compositor, por exemplo.

VIDA DE MSICO

J virou senso-comum no meio artstico: profissionais da rea levam, quase sempre, uma vida tumultuada e imprevisvel. preciso estar preparado para uma rotina de ensaios, estudos, viagens, apresentaes em shows, eventos particulares e eventos culturais.

Cada evento em que sou convidado a tocar um desafio. como se fosse a primeira vez, conta o violinista Valter Soares. Ele est no ramo da msica desde os nove anos e adora a vida que leva. Comecei cedo, participando de um projeto social, parecido com o da Orquestra Criana Cidad, que me fez descobrir o gosto e o talento para a msica. Sou muito grato a isso, pois a msica a minha vida.

Desde que aprendeu a tocar violino, Valter j tinha certeza que queria ser instrumentista. O violinista j tocou em orquestras e, atualmente, alm de ser professor, o spalla da orquestra do Conservatrio Pernambucano de Msica (CPM). A msica me possibilitou conquistas que nunca imaginei serem possveis, comenta.

Valter leva uma vida bastante dinmica. Ensaia todos dos dias, estuda msica e d aulas na Orquestra Cidad. No ano passado, viveu uma grande aventura ao ser convidado para fazer uma turn pela regio Norte do pas. Em uma viagem de quatro meses, o msico se apresentou em muitos lugares, para um pblico diversificado. As novas experincias e desafios somaram bons frutos carreira. Foi uma perodo muito importante, que agregou conhecimento e testou limites, fala. Valter conta como viver o novo sempre ponto positivo para um artista.

Infelizmente, ainda h certo preconceito com quem escolhe ser msico e se profissionalizar no ramo. No Brasil, muitas profisses relacionadas cultura so bastante desvalorizadas. Ser msico vira sinnimo de vagabundagem ou de doidice, pontua o msico. Muitos setores sociais no enxergam e nem consideram a vida acirrada que um musicista encara para conquistar um espao.

A violinista Rafaela Fonseca, professora da Orquestra Criana Cidad, um exemplo desse preconceito. A expectativa era de que ela, que vem de uma famlia de mdicos, seguisse a tradio familiar. Mesmo demonstrando talento e vocao como violinista, no esperavam que Rafaela escolhesse o violino. Eu j sabia muito bem o que queria. No tive medo de contrariar minha famlia.

Foi um choque quando disse aos pais que iria prestar vestibular para msica. No comeo, minha me implorou para eu desistir da ideia. Chegou mesmo a dizer que eu iria destruir a minha vida com essa escolha. Mas, depois, ela se acostumou e viu que eu realmente tinha nascido para isso, conta.

Rafaela comeou a se envolver com a msica muito cedo. Aos 15 anos, decidiu seguir na carreira musical. Entrou para o Conservatrio Pernambucano de Msica (CPM) aos 12 anos e, aos 16, iniciou o curso de Bacharelado em Violino, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A violinista j tocou em orquestras, em pequenos grupos instrumentais e participa do conjunto Quarteto Encore.

A jovem se considera uma instrumentista autnoma, que segue regras prprias e, portanto, adapta-se a qualquer situao. Como autnoma, difcil seguir uma rotina certa. Quem trabalha por conta prpria tem que estar preparado pra tudo, saber improvisar e aproveitar todas as oportunidades. Com o Quarteto Encore, Rafaela est sempre se apresentando em eventos particulares e abertos ao pblico. muito gostoso trabalhar com o Quarteto. O clima entre os integrantes muito bom, e o profissionalismo grande.

Ns, instrumentistas, temos que estar sempre desenvolvendo o talento atravs do treino e do conhecimento. Eu diria que muito importante que o msico esteja sempre trabalhando, ensaiando, estudando, buscando meios para crescer e melhorar o seu desempenho, ressalta a violinista. Para Rafaela, o mais importante na carreira musical que o profissional alie a esfera musical produo cultural. fundamental que ele seja proativo, esteja ligado nas questes burocrticas e busque oportunidades em selees para eventos.

Por todas as dificuldades que o msico encontra na carreira mas tambm por todo o prazer que ela traz Rafaela conclui que viver de msica viver sempre um desafio. A arte musical, diz, muito cativante. O que o msico no pode perder o estmulo, porque a msica algo por que voc se apaixona, e preciso dedicao e garra para ultrapassar os obstculos e viver essa histria de amor.

A NECESSIDADE DA EDUCAO

Contrariando o paradigma que defende a falta de importncia da formao acadmica para profissionais da msica, o maestro e coordenador musical da Orquestra Criana Cidad, Lanfranco Marcelletti, comenta a necessidade de estudos universitrios para quem deseja alcanar expertise. S o conhecimento oferece, aos msicos, uma formao humana mais forte, essencial aos artistas. Quem quer ser msico precisa ser amante do som. Alm disso, deve ter mente aberta, sensibilidade e disciplina, explica.

Para quem quer se dedicar, no faltam cursos na rea. Na esfera da msica popular, que engloba vrios tipos de modalidade, como jazz, blues, rock e MPB, as oportunidades so inmeras. A rea da msica erudita no fica atrs. H, ainda, cursos de produo fonogrfica, indicados para aqueles que desejam se enraizar nas etapas do processo de produo de udio.

PRXIMOS CONCERTOS

27/04/2017

Concerto didtico com o Quarteto Groovy

02/05/2017

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03/06/2017

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