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Estrela Guia para apadrinhar

Voc j ouviu falar do Ncleo de Apadrinhamento Estrela Guia (NAEG)? Voc seria capaz de adotar uma criana? E de ser padrinho de uma? Sabe qual a diferena entre apadrinhar e adotar? Quando o assunto ajudar o prximo, todos ns ricos, pobres, negros, brancos, religiosos, profanos, sem distines costumamos ter, ao menos, o desejo de fazer algo. Entretanto, muitas vezes, no o fazemos por falta de tempo, de conhecimento, de preguia e, principalmente, por ausncia de um meio. Um elo.

Nesta reportagem sobre o NAEG, a Revista Criana Cidad vai mostrar fatos reais de pessoas que acompanham o dia a dia dos jovens, alm de histrias das prprias crianas e do porqu de estarem vivendo em abrigos. So casos que expem a possibilidade real de crescimento, daquele que ajuda e de quem ajudado. Diferentemente da maioria da populao, eles no podem contar com um pai, me, tios, avs... So quase ss. Apenas quase.

Adoo ou apadrinhamento?

impossvel no falar de adoo quando o assunto apadrinhamento. Ambos tm uma ligao equivalente. Afinal, s so apadrinhados os que no so adotados. Os nmeros mostram: a maioria das crianas adotadas no Brasil recm-nascida, branca e saudvel. Esta realidade, por anos, chamou a ateno da 2 Vara da Infncia e da Juventude de Pernambuco e acabou sendo a responsvel pelo surgimento do NAEG. Notando que tais dados tambm eram observados no Estado, desde 2002 a entidade trabalha na busca por ajudar "os excludos dos excludos". Com o sucesso das iniciativas do apadrinhamento que podem ser realizadas de duas maneiras: afetiva e financeira , o juiz lio Braz criou, em 2008, o NAEG.

O apadrinhamento afetivo , certamente, o mais importante. ele que d a oportunidade de os jovens constiturem laos de amor e carinho. Nele, o padrinho e seu apadrinhado podem criar algo imprescindvel: referenciais de vida. "Esses padrinhos elevam a auto-estima, do orientao, educao e um ambiente familiar, j que, sempre que possvel, os padrinhos levam as crianas para passar um feriado ou fim de semana na sua prpria casa. A melhora de vida desses jovens notvel", avaliou a psicloga do NAEG, Carolina Albuquerque.

J o apadrinhamento financeiro realizado, normalmente, sem laos afetivos. Pode partir de pessoas ou instituies. O importante atingir o objetivo de custear a qualificao pessoal e profissional, mediante cursos profissionalizantes, estgios, escola ou reforo escolar, prtica de esportes, dentre outros."O ideal, nesse caso, garantir a capacitao desses meninos. A educao mesmo. Normalmente, eles escolhem informtica, j que a maioria gosta de computador", afirmou a pedagoga Luana Garrido, que acrescenta: "as pessoas normalmente veem esses meninos que vivem em abrigos como infratores. Preconceito. As crianas com que trabalhamos aqui sofreram atos. So vtimas", enfatiza.

vlido frisar que o apadrinhamento no se trata de guarda, tutela ou adoo. No entanto, nada impede que possa vir a transformar-se, caso os padrinhos venham a desenvolver esse desejo. O contato e a aproximao gradativa entre padrinhos e crianas acabam inevitavelmente aumentando os laos. Assim, segundo o juiz titular da 2 Vara da Infncia e da Juventude de Pernambuco, lio Braz, os nmeros surpreendem. "No incio do programa, eram 27 abrigos com cerca de 630 jovens. Hoje, so 20 abrigos e aproximadamente 340 adolescentes. Isso positivo porque caiu o nmero de abrigados. E h um reflexo do NAEG a. Afinal, cerca de 40% do apadrinhamento resultam em guarda e ou adoo", disse o juiz, que tambm revelou: "Isso foi uma grande surpresa, porque o grande objetivo do programa o apadrinhamento, e no a adoo."

Atualmente, o NAEG trabalha em parceria com 15 abrigos, onde 30 crianas so apadrinhadas em Pernambuco. Ao longo dos anos, cerca de 300 jovens j foram beneficiados pelo trabalho da entidade. "O apadrinhamento uma revoluo no modo de amar. Afeta diretamente na vida dessas crianas. Isso traz mudanas positivas profundas na vida dessa garotada", afirmou lio Braz. A assistente social do NAEG, Adriana Mendona, refora as palavras do juiz: "Essas crianas passam a pensar: 'poxa, h algum acreditando em mim'. O que para muitos normal, para elas se torna incrvel", finaliza.

SERVIO:

Ncleo de Apadrinhamento Estrela Guia
Fone: 3412.3000 - Ramais 016 e 017
E-mail: apadrinhamentoestrelaguia@tjpe.jus.br


A HISTRIA DE RENATO

Imagine que toda a sua infncia se passou e voc no pode se recordar dos bons momentos em famlia. No teve uma festa triunfal de 15, 18 anos. Passou o Natal sem receber a visita do Papai Noel. Dia das Mes, Dos Pais? Tambm no. Na verdade, voc esteve boa parte da sua vida em um abrigo o vulgo orfanato. Isso tudo, no entanto, no quer dizer que voc no passou bons momentos. Nem foi somente infeliz. No. Ser rfo significa no ter pais, porm no remete a uma infncia triste, sem amigos, sem bons momentos. Quem disse que um rfo no pode sonhar?

Renato sonha. E sonha em dobro em relao s demais crianas de 14 anos. Sonha em ter algo comum para seus colegas de escola: uma famlia. Sonha em ser adotado. Tambm em poder ter um playstation, em poder ter um quarto, um computador e viajar para lugares legais. uma criana como qualquer outra.

A histria de Renato Gomes da Silva, 15 anos, talvez seja mais comum do que possa se imaginar. A me do garoto sofre de problemas mentais e batia muito no menino. O pai alcolatra e chegou a ser preso por suspeita de abuso sexual irm de Renato, Renata, que tambm tem problemas mentais. Assim, o garoto viveu at os 7 anos com a av, quando aconteceu o abuso sua irm. Ambos acabaram parando em um abrigo da Prefeitura do Recife.

Nesses quase oito anos em que vive longe da famlia, houve apenas uma tentativa de reaproximao. Renato chegou a morar por um ano com uma tia. "No foi muito bom. Ela bebe demais. Prefiro morar no abrigo", afirma o adolescente, que hoje est separado da sua irm, pois mora em um lugar onde s so permitidos garotos: o Abrigo Lar Esperana, no bairro do Hipdromo. Desde o ano passado, a vida de Renato tem dado um salto de qualidade. Ele passou a ser apadrinhado. Agora tem o privilgio de estudar em uma escola particular, fazer um curso de informtica e melhor: receber um carinho de uma pessoa que, para o garoto, tornou-se muito especial. "Quando eu estou com ela (a madrinha) eu me sinto feliz. Eu gosto daqui (do abrigo), mas, se eu pudesse escolher mesmo, eu queria ser adotado pela minha madrinha", revela Renato.

A madrinha de Renato se chama Juliana de Carvalho S. A tenente do Exrcito, de 28 anos, uma referncia para o garoto. Tenta ajud-lo como possvel. "Temos uma tima relao, de fato. Tento dar o mximo de orientao possvel, conselho e incentivo nos estudos e na vida dele. Tenho um carinho especial por Renato", contou a madrinha, que chamada de tia pelo garoto.

Como gratificado com as aulas, o menino faz questo de estudar para corresponder oportunidade dada por sua madrinha. "Eu gosto muito de ler. Agora, j estou quase aprovado para entrar de frias sem ficar em recuperao. o mnimo que eu posso fazer para mostrar que estou aproveitando a chance", falou o consciente Renato, que sempre est lendo. "Agora estou esperando ganhar mais um livro do Crepsculo. So muito bons mesmo", afirmou o ferinha. No abrigo onde ele vive, cada hora despendida em leitura acarreta em outra, que os meninos podem desfrutar em uma lan house. Renato, claro, se d bem com isso.

Apesar da boa conduta em todos os sentidos e de ser muito querido, pelo menos por enquanto, ele ainda vai ter que esperar. Questionada por nossa reportagem, sobre se haveria alguma chance desse apadrinhamento tornar-se uma adoo, a madrinha do garoto foi enftica: "Pelo menos por enquanto, no. Pretendo pagar os estudos dele at quando eu puder e estar sempre junto. Isso o que eu posso dizer", finalizou a tenente. Muito longe de ser finalizado est o futuro de Renato, que segue aguardando uma famlia adotiva, enquanto se empenha na oportunidade dos estudos oferecida pela madrinha.

ENTREVISTA

As agentes do NAEG Adriana Mendona, Carolina Albuquerque e Luana Garrido assistente social, psicloga e pedagoga do Ncleo, respectivamente conversaram com a Criana Cidad sobre os trmites e definies para o Apadrinhamento. Confira a entrevista.

Como ocorre o apadrinhamento afetivo?

Os padrinhos tm, como obrigao moral, o compromisso de acompanhar, orientar, assistir e apoiar a educao e os projetos de vida dos afilhados e devem proporcionar-lhes vnculos alm da instituio, atravs de: visitao aos abrigos, retirada para passeios nos finais de semana, feriados e frias. A frequncia dos encontros entre padrinhos e afilhados acordada com a equipe do NAEG, com os tcnicos dos abrigos e com as crianas e adolescentes apadrinhados.

Qual o perfil das crianas e adolescentes apadrinhveis?

Crianas e adolescentes a partir dos 7 anos, ou de qualquer idade caso apresente alguma deficincia, que possuam processo na Infncia e Juventude da Comarca de Recife ou de outras Comarcas de Pernambuco. Aos padrinhos, possvel escolher a idade (respeitados os critrios) e o sexo da criana ou adolescente a ser apadrinhado.

Quem so os padrinhos e como fazer para apadrinhar?

Os padrinhos so pessoas da sociedade civil, maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, raa ou sexo. O importante que tenham disponibilidade afetiva para criar vnculos fortalecidos com crianas e adolescentes e os ajudem a construir seu projeto de vida.

O que necessrio para se candidatar ao apadrinhamento afetivo?

Preencher ficha de inscrio disponibilizada pelo ncleo e trazer os seguintes documentos: cpias de RG e CPF, cpia do comprovante de residncia, atestado de idoneidade moral, atestado de sanidade fsica e mental. A equipe do Ncleo realiza, ainda, entrevista psicossocial, alm da visita domiciliar.

E quanto ao apadrinhamento financeiro?

Os padrinhos financeiros precisam trazer ficha de inscrio devidamente preenchida, atestado de idoneidade, cpias de comprovante de residncia, comprovante de renda, RG e CPF, e acordar com a equipe do programa o valor disponvel para o apadrinhamento e o tempo que o mesmo ir durar (por exemplo, curso profissionalizante no valor X, com durao de 01 ano).

DADOS

- 72% dos brasileiros preferem adotar uma criana branca.

- Destes, 67% querem que seja um beb com cerca de 6 meses, sendo que 99% efetivam a adoo de crianas com at 1 ano de idade.

Entre os estrangeiros:

- 48% aceitam crianas com at 4 anos.

- Apenas 13% preferem crianas com a pele clara.

Fonte: ONG Associazione Amici dei Bambini (Ai. Bi-SP)

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