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O som que vem da alma

Umas das clebres frases do tenor Luciano Pavarotti diz que o artista deve ter a msica na cabea e cantar com o corpo. No momento da execuo de uma msica cantada, vrios elementos entram em comunho: a voz, a respirao e a performance traduzem o sentimento da obra ao pblico. Por isso, apesar de o canto ser uma arte musical bastante popular e antiga, ele possui tcnicas de estudo e de cuidados, da mesma forma que se tem com um instrumento musical.

No se pode afirmar exatamente como a msica nasceu. No entanto, as primeiras manifestaes musicais eram cantadas, e, algum tempo depois, a msica passou a fazer uso de instrumentos como forma de acompanhamento para a voz.

O historiador Roy Bennett, no livro Uma Breve Histria da Msica, defende que a arte tenha surgido h aproximadamente 50 milhes de anos no continente africano. De acordo com estudos cientficos, desde que o ser humano comeou a se organizar em sociedades primitivas, a msica era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. O professor de Artes Cnicas da Prefeitura do Rio de Janeiro Lindomar
Arajo, em artigo escrito ao site Info Escola, explica que, j na pr-histria, o ser humano produzia uma forma de msica que lhe era essencial. Era na arte que os homens encontravam um ambiente para projetar os desejos e sensaes que lhe fugiam razo.

Durante a Idade Mdia, a Igreja comandava a cultura e as decises polticas e sociais de toda a Europa. Esse fator interferiu na produo musical da poca. A msica monofnica, que possui uma nica linha meldica, sacra ou profana, a mais antiga e conhecida pelas sociedades civilizadas. Porm, o estilo mais utilizado nas cerimnias catlicas era o
canto gregoriano.

Segundo Lindomar, o canto gregoriano foi criado antes do nascimento de Jesus Cristo e era executado nas sinagogas e pases do Oriente Mdio. Em meados do sculo 6, a Igreja Crist tornou o canto gregoriano um elemento essencial para o culto. O nome uma homenagem ao Papa Gregrio I (540-604), que fez uma coleo de peas cantadas e as publicou em dois livros: Antiphonarium e as Graduale Romanum.

Ao longo dos anos, a msica evoluiu, e a arte de cantar acompanhou esse crescimento. Os sons cantados podem ser desenvolvidos por uma s pessoa essa execuo denominada canto , ou pode ser executada por duas ou mais pessoas, sendo conhecida como canto coral.

Segundo o professor de canto coral da Orquestra Criana Cidad Audir Teodsio, antes de iniciar os exerccios de canto os alunos devem atentar para a postura e a respirao. Essas ferramentas influenciam diretamente na emisso do ar e na projeo da voz.

O ato de cantar no est restrito a poucas pessoas. De acordo com Audir, qualquer pessoa que estude e realize os exerccios necessrios pode cantar
bem. H alunos que possuem vozes muito bonitas e tm muita facilidade de alcanar notas mais altas. J outros no tm essa facilidade, no conseguem alcanar certos tons, mas so bastante tcnicos, seguem os exerccios e conseguem cantar muito bem.

As aulas de canto so responsveis por lapidar talentos. Para o professor, cantar corretamente um desafio, j que envolve vrias tcnicas que devem ser seguidas para uma boa apresentao. O pblico tende a admirar mais a msica cantada porque a fala o cdigo que ele entende, afirma o professor.

Nas aulas de canto, os alunos tm contato com inmeras tcnicas musicais. O Melisma uma dessas tcnicas, que consiste nas voltas que o
cantor d na voz, fazendo variaes na tonalidade de uma slaba fontica enquanto ela est sendo cantada.

Antes do incio da aula, o professor realiza um exerccio para aquecer a voz, que, geralmente, comea com os tons mais graves at os tons mais agudos. O professor Audir tambm explica que, nas avaliaes de uma turma de canto e coral, o educador deve analisar a postura, a tcnica que est sendo usada e a interpretao.

COMO FUNCIONA A VOZ?

A fonoaudiloga e cantora Luciana Ramos explica que a produo do som depende de dois fatores: o ar que sai dos pulmes e passa pela laringe e a vibrao das pregas vocais. Durante a respirao, as pregas vocais permanecem abertas, possibilitando a passagem do ar. No momento da fala, elas ficam fechadas medida que o ar passa por elas. Assim, o ar faz as pregas vibrarem, e o som produzido.

No entanto, o som gerado na laringe ainda no representa a voz. O som bsico que produzido na laringe percorre um caminho pelo trato vocal, passando por estruturas que formam obstculos ou aberturas, at atingir a sada pela boca ou pelo nariz, modificando-se atravs de um processo chamado ressonncia. As cavidades de ressonncia, formadas pela prpria laringe, faringe, boca, nariz e seios paranasais cavidades cheias de ar dentro dos ossos da cabea , formam uma espcie de alto-falante natural. Dessa forma, o som chega ao ambiente mais intenso e articulado na forma de alguma vogal ou consoante.

A fonoaudiloga esclarece o que acontece com as cordas vocais no momento de cantar. Quando se est
cantando, as pregas vocais se comportam como na fala. O ar passa vindo dos pulmes, e elas vibram. Quanto mais rpido as pregas vibrarem, mais agudo o som produzido; quanto mais devagar, mais grave o som. Para uma vibrao mais rpida, as pregas so mais finas. Isso identificado na maioria das mulheres. J
nos homens, que tm a voz mais grave, h mais massa vibrando, pregas mais grossas; por isso, as vibraes so mais amplas e lentas.

CANTO ERUDITO E POPULAR

O ato de cantar inerente ao ser humano, e muitas pessoas o praticam instintivamente. A msica executada por apenas uma pessoa denominada
canto e atrai vrios tipos de pblico pela facilidade com que captada pelos ouvintes. A msica cantada se divide entre erudita e popular, e as duas requerem tcnicas e caractersticas diferentes.

O canto erudito ou lrico exige uma boa potncia vocal para que se chegue at o pblico sem auxlio do microfone. Essa modalidade de canto procura ser fiel inteno do autor, sem desrespeitar as propostas da partitura, como melodia e tom. No canto popular,
o msico procura sempre inovar, traz releituras de canes antigas e imprime sua identidade musical na obra que est executando.

De acordo com o professor de canto e canto coral Audir Teodsio, tanto os cantores populares quanto os lricos precisam ter uma boa dico para cantar. Dessa forma, eles podem pronunciar com clareza as palavras da msica, garantindo a compreenso do
pblico. Os conceitos de qualidade de voz e tcnica so muito importantes porque a voz traz a marca do artista e identifica quem est cantando.

A msica gospel vem ganhando espao na mdia atravs da maior participao da igreja nos meios de comunicao. Inspirado na black music americana, os cantores evanglicos utilizam bastante os recursos vocais, como o falsete tcnica em que o msico, de forma controlada, executa uma falsa voz, mais fina que a real, a fim de chegar a um tom mais agudo.

O cantor gospel Srgio Oliveira tenor e canta no ministrio de msica Novo Tempo. A msica esteve presente em sua vida desde a infncia. Aos oito anos,
j participava de corais infantis na igreja e sentia que a msica preenchia o tempo de forma positiva.

A vontade de se profissionalizar veio mais tarde. Aos 16 anos, Srgio comeou a estudar canto coral no Conservatrio Musical Guararapes. Ele diz que ficava encantado ao ouvir os corais gospels de msica negra que contavam com a participao do cantor
Kirk Franklin. Srgio explica que costuma cantar s, mas, intimamente, tem um apreo especial por apresentaes em que o estilo coral pode ser implantado. Acho os corais mais completos e belos, tanto na questo esttica como na harmnica, aponta.

Toda rea musical imprime desafios que devem ser superados para a realizao de um bom trabalho. O cantor explica que comeo da carreira a pior fase, pois a profissionalizao exige dedicao e estudo, e no s uma voz bonita. Meu maior desafio foi sair do amadorismo e tratar a msica no s como paixo, mas abra-la e encarar o fato com seriedade, diz.

Para preservar a voz, Srgio toma alguns cuidados bsicos, mas muito importantes para garantir a qualidade vocal. O msico evita gritar ou falar muito alto, bebe muita gua e foge de alimentos e lquidos gelados. Ele sempre, antes e depois de uma apresentao musical, aquece e desaquece a voz, respectivamente.

O ato de cantar j carrega consigo uma responsabilidade muito grande. Voc, querendo ou no, transmite uma
mensagem, uma emoo a quem te ouve. E a maior emoo, no meu caso, que canto msica gospel, ver as pessoas tocadas pela msica que eu canto. quando voc percebe que o objetivo foi alcanado, e a mensagem foi entendida, completa o jovem.

OS CORAIS

Os corais surgiram no Brasil no perodo Colonial, inspirados na cultural europeia. As missas da poca j eram celebradas com cnticos elaborados por grupos vocais. A popularizao do canto coral nacional se deu atravs do maestro Heitor Villa-Lobos, que tinha o hbito de realizar concertos abertos com a participao de corais escolares numerosos. Graas colaborao do maestro, as aulas de canto orfenico foram inseridas nos currculos escolares brasileiros. A modalidade de canto surgiu na Europa do sculo 19, com o objetivo de auxiliar o desenvolvimento
artstico da criana e formar adultos musicalmente alfabetizados.

Atualmente, no Brasil, a entidade mxima do canto coral a Confederao Brasileira de Coros. A formao dos corais promove a cultura de paz entre os integrantes de cada grupo. Inmeras empresas j perceberam esse vis social e passaram a introduzir grupos de canto nos locais de trabalho. De acordo com a Confederao, atravs dos exerccios vocais muitas pessoas conseguem diminuir ou mesmo abandonar o uso do fumo e do lcool, melhorando a qualidade de vida e o rendimento no trabalho.

O aposentado Adimar Severino da Silva integra o coral religioso Magnificat e conta que a msica uma terapia para a vida. Quando me aposentei, fiquei com bastante tempo livre e fui convidado para fazer parte do coral. Eu aprendi tcnicas de respirao para aquecer a voz e deix-la a contento para cantar as msicas, explica Adimar.

A participao no grupo trouxe, alm da sade, o reconhecimento social da nova atividade. Eu me sinto muito orgulhoso, pois agora eu sou fonte de
inspirao para minha neta, que comeou a se interessar pela msica por minha causa, completa.

Uma das caractersticas fortes de um coral tambm o trabalho em equipe. Segundo Naleide Sueli Pereira, que tambm integra o coral religioso, em um coro, no existem talentos individuais, porque s uma ao em conjunto garante um trabalho bem feito. muito prazeroso participar desse grupo. O coral nos traz muitos valores importantes, como solidariedade, amizade e nos mostra a importncia de criar vnculos slidos na nossa comunidade, conclui.

TIPOS DE VOZ

Assim como uma orquestra possui diferentes tipos de instrumento, um coro tambm se forma com diferentes tipos de vozes. Isso porque existem diferentes timbres de voz, tanto para
homem quanto para mulher. Ao todo, existem seis classificaes vocais, sendo trs para cada gnero:

Vozes Femininas:
Soprano (voz aguda), Mezzo-soprano (voz mdio-aguda) e Contralto (voz grave).

Vozes Masculinas:
Tenor (voz aguda), Bartono (voz mdio-grave) e Baixo (voz grave).

CUIDANDO DO APARELHO FONOLGICO

As dicas a seguir encontram-se no site da Campanha da Voz (www.sbfa.org.br/campanhadavoz/index.htm), promovida pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia:

Fale sem esforo e articule bem as palavras.
Mantenha uma boa postura corporal ao falar ou cantar .
Beba pelo menos dois litros de gua diariamente.
Durma bem.
Tenha uma alimentao saudvel, rica em frutas e protenas.
Use vesturio confortvel.
Procure reduzir a quantidade de fala durante quadros gripais, crises alrgicas e perodo pr-menstrual.
Evite falar por longos perodos, principalmente em ambientes ruidosos.
Evite pigarrear, gritar e dar gargalhadas exageradas.
Evite ingerir leite e derivados, bebidas gasosas e chocolate antes de utilizar a voz continuamente.
Evite ingerir lcool em excesso, bem como outras drogas.
Cuidado ao cantar inadequadamente ou abusivamente.
Esteja atento aos primeiros sintomas de alterao vocal, como cansao, ardor ou dor ao falar, falhas na voz, mudana de tom, pigarro e rouquido.
No caso de problemas vocais, procure um fonoaudilogo e um m dico otorrinolaringologista.

POR QUE A VOZ MUDA MEDIDA QUE A CRIANA CRESCE?

Segundo a fonoaudiloga Luciana Ramos, o ser humano no possui nenhum aparelho destinado exclusivamente produo do som. Para falar, ele faz uso de estruturas de outros sistemas do corpo humano, como o respiratrio, o digestrio e o nervoso. Essas estruturas, quando unidas de forma complexa, realizam
uma funo secundria: a produo da voz. Usa-se o ar da respirao como combustvel; a laringe, que o rgo protetor dos pulmes, como motor vibratrio; no final, articulamos os sons com estruturas respiratrias e digestrias, como lbios, lngua, dentes e cavidades nasais.

A voz muda conforme o corpo se modifica. A laringe de uma criana diferente da laringe de um adulto. Em
recm-nascidos, a laringe mais alta. medida que a criana vai crescendo, a laringe muda de posio, ficando mais baixa no pescoo. Alm disso, existem estruturas da laringe do adulto que ainda no esto bem formadas em um beb. Na infncia, a voz de meninas e meninos bem parecida, mas, na adolescncia, ocorre um processo chamado muda vocal, o que leva diferenciao entre a voz masculina e a feminina sendo a feminina mais aguda, e a masculina, mais grave. Quando a pessoa envelhece, ocorrem mais mudanas na voz, o que se chama de presbifonia, que implica o arqueamento das pregas vocais, deixando a musculatura mais flcida. A consequncia uma voz trmula, montona e com pouca projeo.

SACRIFCIO POR AMOR MSICA

Os castrati eram jovens cantores de corais que tinham os testculos arrancados antes de alcanar a puberdade para que a voz no engrossasse. Essa prtica surgiu ainda no Imprio Bizantino, antes de Cristo. O tempo passou e a tradio adormeceu, reaparecendo mais tarde, na Itlia do sculo 16.

Os castrati tornavam-se homens com
potncia vocal e timbre bastante agudo,
o que possibilitava o alcance de notas
muito altas. Os cantores eram castrados
porque essa mutilao inibia a produo
do hormnio testosterona responsvel pelo desenvolvimento masculino, inclusive a alterao da voz.

Os primeiros castrati famosos foram Jacomo Spagnoletti e Martino. Ambos integraram o Coro da Capela Sistina em 1588. Por vota de 1340, os cantores cirurgiados eram empregados em igrejas de toda Itlia.

Os meninos castrados eram proibidos de
casar e cantar em comunidades luteranas. No incio, quem cantava na Capela eram os falsettisti, que tinham vozes mais geis e um som mais rico. A troca de falsettisti para castrati aconteceu porque a voz dos meninos
castrados era mais natural. Na Idade Mdia, eles eram to preciosos que foi criado um Coro na Capela Sistina composto apenas por castrati.
(Fonte: Jornal Cincia)

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