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Sustentabilidade - Planeta gua em alerta

A crise hdrica uma realidade que tira as pessoas da zona de conforto, exigindo medidas urgentes.

Enchentes, secas, furaces. O mundo est em desequilbrio, pedindo socorro. A situao descrita poderia ser um roteiro de filme sobre o apocalipse, mas a realidade em que se encontra o meio ambiente. Os recursos naturais so bens finitos, que devem ser preservados para continuarem a existir em abundncia na natureza. A gua um desses recursos que so inerentes manuteno da vida. Apesar de o planeta Terra ser composto por cerca de 70% de gua em estado lquido, 97% do total desse volume est nos oceanos e possui grande quantidade de cloreto de sdio, alm de outros sais minerais ; 2% est em geleiras inacessveis; e apenas 1% faz-se presente em rios, lagos e fontes subterrneas.

Mais de 70% do maior manancial de gua doce subterrnea do mundo, o Aqufero Guarani, com cerca de 1,2 milho de quilmetros quadrados, est no Brasil, espalhado pelo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Gois, Minas Gerais, So Paulo, Paran, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Mesmo tendo esse recurso em abundncia, os brasileiros ainda sofrem com a crise hdrica.

Cerca de 45 milhes de pessoas no Brasil no tm acesso gua potvel, e muitas cidades no possuem tratamento de esgoto a primeira causa de contaminao dos rios e mares. O gelogo Marcelo Anastcio foi funcionrio da Agncia Pernambucana de guas e Climas (Apac) e, atualmente, trabalha no ramo de engenharia, construes e ferrovias, em Braslia. Segundo Anastcio, um dos fatores que podem explicar a crise hdrica brasileira a m distribuio. Embora o Brasil tenha 13,5% das reservas mundiais de gua doce, a maior parte est localizada na regio Norte, rea com a menor concentrao populacional do pas, explica.

Segundo a Agncia Nacional de guas (ANA), alm da m distribuio, a poluio e o desperdcio so outros fatores agravantes da crise hdrica nacional. Pesquisas da ANA datadas de 2010 mostram que a manuteno da agricultura no Centro-oeste uma das fontes de desperdcio. A regio uma das que mais gasta gua, devido ao uso inadequado de tcnicas de irrigao. Embora fatores climticos, como relevos acidentados dos sertes, tambm causem a escassez, a falta de cuidado com os recursos hdricos ainda o maior problema.

> O convvio com a falta dgua:

A seca histrica do Nordeste brasileiro j foi tema de inmeras conferncias e sempre figura como pauta nos telejornais. Mas por que existe seca na regio nordestina? Segundo o gelogo Marcelo Anastcio, o chamado Polgono das Secas rea que compreende os estados de Alagoas, Bahia, Cear, Minas Gerais, Paraba, Pernambuco, Piau, Rio Grande do Norte e Sergipe possui um relevo irregular, composto por vrias depresses entre planaltos. A topografia dessas regies, aliada grande incidncia de raios solares e altas temperaturas, dificulta a passagem de massas de ar midas, ocasionando a falta de chuvas.

O povo nordestino convive com a seca h vrios anos. Sem a opo de combat-la, a sada foi adaptar-se estiagem. Baseado em dados da Articulao no Semirido Brasileiro (ASA), a partir do ano 2000 o processo de criao de cisternas passou a ser realizado com mais frequncia, por iniciativa dos prprios sertanejos. Em 2003, o Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) criou o Programa de Cisternas, com o objetivo de solucionar o acesso a recursos hdricos para a populao rural espalhada na regio do semirido. Os reservatrios tm uma capacidade de armazenamento de 16 mil litros de gua potvel e so construdos com placas slidas de cimento.

Existem dois tipos de cisternas: para consumo humano, somente para beber e preparar alimentos; e outro modelo utilizado na irrigao das lavouras. Desde 2007, a ASA, em parceria com a ONG Diaconia Actaliana, construiu 68.549 cisternas com fins agrcolas. Outras 500 mil foram entregues pelo Ministrio da Integrao Nacional. A iniciativa visa alcanar a construo de um milho de cisternas para as famlias rurais que convivem com perodos de estiagem, garantindo mais sade e qualidade de vida populao.

A ONG tambm idealizou uma ao que visa ao treinamento de mulheres para atuar na construo de tecnologias sociais de captao e armazenamento de gua. O projeto capacitou 20 profissionais na regio do Rio Grande do Norte, em 2014. O principal objetivo da formao suprir o dficit atual de mo de obra exigida no mercado local voltada construo civil, alm de desenvolver as habilidades de mulheres no processo de construo de cisternas de placa, que gera renda para as famlias e, no final, as beneficia com a economia dos recursos hdricos. Aps a realizao do curso, que conta com uma carga horria de 48 horas, os participantes receberam tambm um kit com materiais bsicos de trabalho, como prumo, bandejas, colher de pedreiro, desempoladeiras, serra e rgua, destaca o assessor tcnico Jnio Amorim.

> Enfrentando a crise hdrica pela primeira vez:

O ano de 2015 trouxe um alerta preocupante para os moradores do Sudeste brasileiro. A Grande So Paulo enfrenta a maior escassez de gua da sua histria. O reservatrio da Cantareira abastece 8 milhes de habitantes das Zonas Norte, Central, parte da Leste e Oeste da capital paulista, alm dos municpios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuba e So Caetano do Sul, Guarulhos, Barueri, Taboo da Serra e Santo Andr. Cerca de 20 milhes de pessoas dependem do fornecimento de gua, que no vem sendo feito com regularidade, pela falta do recurso natural.

O gegrafo Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp, afirmou, recentemente, em entrevista ao jornal El Pas, que os alertas de possvel escassez foram feitos h quase 10 anos. No entanto, as autoridades ignoraram o sinal da crise
e incorporaram um volume que antes no era considerado til, aumentando a vazo de 33 para 36m3/s. Ou seja, estava sendo usada mais gua do que o permitido para a manuteno dos reservatrios paulistas.

Para adequar-se nova realidade, empresas e instituies da sociedade civil organizaram-se na tentativa de mudar o panorama. As metas mais urgentes so reduzir o consumo de gua e fornecer, s pessoas, uma educao mais significativa, apostando na construo de posturas mais sustentveis.

Uma das instituies que seguem esse exemplo em So Paulo a Escola de Educao Infantil Ponto de Partida. A instituio, localizada na Zona Oeste paulista, trata o tema da sustentabilidade h cerca de 20 anos, com aes simples como a reutilizao de materiais e o cuidado com jardins e hortas. Contudo, frente aos problemas de crise hdrica, a escola decidiu dar um passo adiante, estruturando um sistema de captao e reutilizao de gua da chuva. A piscina, que tinha pouca utilizao, foi transformada em um grande reservatrio para onde direcionada a gua resultante das precipitaes. O sistema simples: a gua vem da calha do telhado, passa por um filtro comum e cai no reservatrio. Quando o nvel das caixas dgua desce, as bombas so acionadas automaticamente e enviam gua para repor.

A mudana de postura da escola assume um impacto educativo. As aes contribuem para o desenvolvimento integral das crianas, possibilitando um aprendizado sobre cidadania, sustentabilidade e meio ambiente. Para a gestora da Escola de Educao Infantil Ponto de Partida, Carmem Farias, conviver com atitudes mais sustentveis ajuda a manter um planeta melhor de se viver. Os alunos repassam o que aprendem. Tem pai que brinca que agora tem um eco chato em casa. muito importante que eles cresam com a conscincia de preservao do nosso ambiente e recursos naturais, relata Carmen. No aspecto prtico, a gestora tambm comemora a reduo de 60% na conta de gua da escola, a partir da implantao do sistema.

> Aes que evitam o desperdcio:

A Associao Beneficente Criana Cidad (ABCC) incentiva os seus projetos sociais a trabalharem a sustentabilidade com os alunos, para ajudar a construir um mundo melhor. Aes de conscientizao e prticas para evitar o desperdcio so vivenciadas diariamente na instituio.

O Ncleo de Reforo Escolar da Orquestra Criana Cidad, juntamente com a Coordenao Pedaggica, desenvolve o Projeto Meio Ambiente, que tem o objetivo de promover o conhecimento sobre a preservao da natureza, dos recursos naturais e prticas sustentveis que melhoram a vida no planeta. A iniciativa j realizou debates e palestras sobre a conservao ambiental e a importncia da gua para a manuteno da vida. Atualmente, o Projeto tambm realiza aes de reciclagem e coleta seletiva.

A pedagoga Daniela Santos coordena as aes do Projeto Meio ambiente. Eu procuro trabalhar, com os alunos, a importncia de separar o lixo para facilitar a coleta seletiva. Ns discutimos sobre a no poluio dos rios e das ruas e mostramos que necessrio reciclar, explica.

O aluno talo Alves, de 14 anos, participa assiduamente dos exerccios de conscientizao e reconhece a importncia de praticar cada ensinamento repassado. Eu penso muito nas geraes futuras. Um dia, vou ter um filho e no quero que ele viva em um mundo com falta de gua. Por isso, muito importante poupar para no acabar, observa o adolescente.

Os integrantes do Espao Cultural e Esportivo Criana Cidad, tambm projeto da ABCC, desenvolvem atividades relativas preservao dos recursos hdricos. O perfil sustentvel tambm trabalhado de forma ldica; as educadoras promovem a confeco de cartazes, colagens, desenhos, produes textuais e teatrais.

A coordenadora pedaggica Mariza Fabrcio pratica a ideia de preservao alm da sala de aula, fiscalizando, diariamente, a atitude sustentvel dos alunos. Eu e as professoras estamos
sempre de olho. Vemos se a torneira est pingando ou se os meninos esto estragando gua de alguma forma. De tanto fazermos isso, os pequenos nos copiam e ficam ensinando os colegas a no desperdiarem esse bem to precioso, completa Mariza.

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