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Artigo - Saberes para a gesto de grupos musicais

Uma das coisas que se pode notar enquanto se estuda em um curso regular de msica que, por si s, ele no o suficiente para se inserir no mercado musical com um trabalho cultural de produo independente. Nesses cursos so enfatizadas, entre outras coisas, a anlise, execuo e criao musical. No caso da licenciatura, alm desses temas so trabalhados contedos prprios para a formao de professores.
Esses saberes so suficientes quando o msico tem como seu objetivo profissional se submeter a uma seleo para uma orquestra, participar de uma atividade cultural j estabelecida, ou dar aulas. Esses so exatamente os objetivos da maioria dos alunos de msica. O perfil mais conhecido de msicos e artistas em geral de uma pessoa que escolheu seu ofcio por paixo. Para eles, praticamente todo seu tempo e esforo deve ser dedicado formao artstica e tudo deve ser feito com uma nica finalidade: o fazer artstico. O fato de o valor da arte ser uma coisa to clara pra eles, mas to difcil de debater com um cliente na hora de negociar um preo, faz com que a maioria dos msicos tenham vergonha e insegurana na hora de vender seu trabalho.

Na verdade, vender seu trabalho, para um msico, muitas vezes visto como desviar-se de seu talento e perder sua dignidade artstica. O problema, que na realidade atual, as vagas de trabalho no mercado tradicional de msica esto cada vez mais difceis. Em perodos de crise, o setor cultural um dos primeiros a sofrer cortes. Assim, os salrios se tornam cada vez mais baixos e a oferta de mo de obra qualificada cada vez maior. Com isso, mesmo as pessoas que possuem um emprego garantido, muitas vezes se sentem obrigadas a fazer bicos em eventos e procurarem uma renda extra com aquilo que melhor sabem fazer: msica!

Para aqueles que pensam fora da caixa, inevitvel a conscincia da necessidade de uma formao especfica para a gesto da carreira, o conhecimento do mercado e o desenvolvimento de habilidades empreendedoras. O que parece mais contraditrio que artistas desenvolvem algumas das habilidades que so essenciais para o empreendedorismo (como a criatividade, a disciplina e a sensibilidade), mas demonstram tanta resistncia ou falta de interesse em empreender.

Por outro lado, muitos produtores ou agentes se aproveitam dessa dificuldade encontrada pelos artistas e terceirizam seus servios para o cliente final, pagando pouco a quem realmente faz msica e lucrando por seu trabalho. Ou muitos artistas se promovem cobrando preos muito baixos por seus servios, ou se envolvem em projetos culturais que pagam pouco, mas o fazem pela arte. Em uma realidade saudvel, qualquer produto artstico precisa se preocupar primeiramente com a questo artstica e s depois com a questo produto ou servio. Alguns produtores no reconhecem as necessidades do artista ou no as priorizam. O que deve ser desenvolvido uma forma de produo na qual os artistas tenham liberdade artstica para preparar um bom espetculo ou produto, ao mesmo tempo em que o produtor tenha autonomia para resolver qualquer questo fora do palco.

de extrema importncia que um novo grupo tenha bem definida qual sua identidade. Qual repertrio ir executar? Qual pblico pretende atingir? De quais eventos gostaria de participar? Durante esse processo, todas as pessoas envolvidas devem participar das decises e planejar a produo executiva. importante pensar em vrios fatores sem os quais nenhum trabalho pode seguir em frente. Alguns deles so investimento inicial, logstica, plano de comunicao e marketing e planejamento financeiro.

Certamente, no devem ser esquecidas as questes culturais, sociais, sustentveis e de acessibilidade em nenhum negcio artstico. Empreender em artes no quer dizer se vender. Se as pessoas pagam por uma boa roupa, uma tecnologia moderna ou um bom prato em um restaurante, o artista tem que saber que o seu servio ou produto cultural tambm tem muito valor e um preo justo.

Rafaela Fonsca bacharel em Violino pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em Produo e Gerenciamento de Eventos pela Faculdade Senac de Pernambuco, professora de violino na OCC e no programa Orquestrando Pernambuco, do Conservatrio Pernambucano de Msica (CPM). J atuou na Sinfnica Jovem do CPM, Orquestra Experimental de Cmara, Camerata de Olinda e Orquestra Jovem de Pernambuco, e atualmente segundo violino e diretora de produo do Quarteto Encore.

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19/07/2017

Orquestra Criana Cidad dos Meninos do Ipojuca na Caixa Cultural Recife

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