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Maestro Formiga: uma exploso criativa em pessoa

Compositor, arranjador, instrumentista, regente, amante da cultura popular. A vida musical de Ademir Arajo marcada pela defesa do ensino musical em larga escala

Uma combinao expressiva entre sons e ideias, que pode ser caracterizada como algo mais alm. Uma energia acumulada que se transforma em forma de msica. Estamos falando do maestro Ademir Arajo. Compositor, instrumentista, arranjador e regente, Ademir, mais conhecido como Maestro Formiga, o personagem da edio n 21 da Revista Criana Cidad. Formiga nasceu no Recife, no bairro do Derby, em 15 de outubro de 1942. Filho de Hemetrio de Arajo e Maria Souza Arajo, perdeu o pai ainda criana, aos 7 anos de idade e foi criado na comunidade da Ilha do Joaneiro, uma das mais pobres do Recife poca. A primeira linguagem artstica a encantar o jovem foi o desenho. Entretanto, aos 14 anos, o som marcante das bandas escolares no desfile de Sete de Setembro pegou-o pela mo lhe fazendo mudar de rumo.

O fascnio dos ritmos levou o garoto a querer conhecer a msica mais profundamente. Decidiu ento tomar aulas com o professor Jos Gonalves de Lima, que o encaminhou para ser instrudo pelo maestro Edson Carlos Rodrigues. Eu passei quase um ms para aprender a escala d, r, mi. Era muito desafinado. Mas essa dificuldade e o incentivo do maestro Edson me deram fora para no desistir, contou Formiga, cujo primeiro instrumento que aprendeu a tocar foi o sax-horn, tambm chamado de saxotrompa, ou trompa cachorrinha. Sempre determinado, Formiga buscava conhecimento em livros tericos e com outros professores. No Conservatrio Pernambucano de Msica, estudou Teoria e Solfejo, comOtvio Prazeres, e Harmonia, com Horcio Vilela e Severino Revoredo. Tambm contou com a ajuda do maestro Dudu para aprender a base musical do frevo e com o padre Jaime Diniz para entender sobre contraponto, fuga e msica sacra.

Aos 16 anos, em 1958, Ademir vivera sua primeira ousadia musical, submeteu-se ao concurso para integrar a Banda Municipal da Cidade do Recife. Com apenas um ano de estudo, mas muita fora de vontade, concorreu com mais de 100 msicos experientes. Com sua cachorrinha, ele no se abalou com a concorrncia e conquistou o 26 lugar, garantindo a vaga. A aprovao foi o pontap inicial para a sua carreira na msica. Entrou no grupo tocando sax-horn, depois passando para o saxofone. O primeiro salrio recebido foi gasto com a compra dos trs volumes do Grande tratado de instrumentao e orquestrao modernas, de Hector Berlioz (1803-1869), que viria a ser a sua bblia musical.

Para Formiga, alm de um prazer, a msica era sua fonte de renda. No perodo carnavalesco, ele passava dias fora de casa, tocando em agremiaes, manhs de sol e matins. Eu saia de casa na sexta-feira e dizia a minha me: No se preocupe comigo no, eu s volto na quarta. Tocava numa manh de sol, quando terminava, eu ficava em algum restaurante perto, tocando algumas msicas. Nesse intervalo o dono do estabelecimento gostava do som e me oferecia um almoo. A eu j economizava o dinheiro dessa refeio. Saa de l e ia tocar numa matin a tarde. Fazia a mesma coisa e ganhava uma sopa para jantar. E noite seguia para tocar em algumas agremiaes, como Lenhadores, Batutas de So Jos, Vassourinhas. O carnaval todo era assim. Quando terminava, dava dinheiro para a minha me fazer a feira e o que sobrava, comprava livros, discos e outras coisas para mim, contou, entre risos, o maestro.

DE INSTRUMENTISTA A REGENTE O apelido de Ademir Arajo surgiu ainda na infncia. Por ser irrequieto e franzino, um colega de classe o comparou com uma formiga e, desde ento, passou a ser chamado assim. Essa inquietao acompanha o maestro at hoje, que sempre est pesquisando, lendo, compondo e pensando. Nos anos de 1961, 1965, 1967 e 1968 foi vencedor dos concursos de carnaval promovidos pela Prefeitura Municipal do Recife, na categoria maracatu. J as composies Frevo na tempestade, Pra frente frevo, A vem os palhaos e E o frevo continua o consagraram como cone nesta modalidade musical.

Encorajado pelo amigo e trompetista da Banda Sinfnica Gilberto Pimentel dos Santos, o maestro inscreveu duas de suas msicas em um concurso da Prefeitura do Recife. As peas eram Preldio de maracatu e Frevo no ano 2000. No momento de apresentar o maracatu, Formiga no sabia que iria precisar de um intrprete. Para poder participar da competio, ele teve que arrumar algum que de ltima hora cantasse sua msica. Eu estava naquele desespero para achar uma pessoa, quando vi Claudionor Germano no piano. Ele nem era famoso ainda. Cheguei para ele, expliquei a situao e pedi ajuda. Apesar do corre-corre, ele ensaiou rapidamente a letra e ficamos com o segundo lugar do concurso. Concorremos com grandes nomes como Nelson Ferreira e Jaime Griz. Nelson foi o primeiro colocado, lembra.

Alm da Banda Municipal do Recife, Formiga atuou tambm na Banda da Polcia Militar de Pernambuco, onde desenvolveu suas habilidades com composies e arranjos. Durante a dcada de 1970, o msico atingia um novo estgio na carreira, vivenciando novas experincias como regente e diretor musical. Sob a sua coordenao, a Banda Municipal do Recife, venceu o Festival de Frevo dos Dirios Associados com o frevo de rua Al Recife. Na mesma poca, comps a Grande Abertura do Dirio de Pernambuco, para Orquestra Sinfnica, Banda Sinfnica e Coro, que foi executada nas comemoraes dos 150 anos do jornal, em 1975.

Esse dia foi uma correria s, pois eu iria reger cinco bandas militares, a Orquestra Sinfnica do Recife e o Coro Sinfnico. Todas ao mesmo tempo para executar a minha composio. Os msicos no ensaiaram a pea. No dia, cada um pegou sua partitura e comeou tocar e eu ficava tentando faz-los entrar certo, j desesperado. Ao final, todos aplaudindo de p, os diretores do jornal j tinham inclusive feito a gravao e estavam elogiando a obra. As pessoas achavam que a pea era daquele jeito que estava sendo tocada, mas eu escrevi e sabia que no era. Essa uma pea que ainda pretendo gravar do jeito que eu quero, relembrou Formiga.

Nessa poca, Ademir j deixava um pouco de lado o instrumento para se dedicar regncia. Foi orquestrador do Projeto Aqurios, em 1977; participou como regente e compositor do Projeto Msica Popular do Nordeste e como regente da Banda Sinfnica Juvenil Pernambucana, em 1978. Entre 1970 e 1981, o maestro Formiga assumiu uma postura mais poltica para lutar por melhorias para a cultura pernambucana, tornando-se assessor de msica da Fundao de Cultura da Prefeitura do Recife.

CARNAVAL E ARMORIAL Sempre ao lado das agremiaes carnavalescas, regendo e auxiliando no que fosse necessrio, Formiga era quase onipresente durante o carnaval, participando de mais de 14 agremiaes, como: Coqueirinho de Beberibe (primeiro grupo carnavalesco que fez parte); Batutas de So Jos; Madeira do Rosarinho; Lenhadores; As Ps; Vassourinhas, e muitos outros. Em meados de 1975, o cenrio cultural pernambucano vivia a efuso do Movimento Armorial, idealizado pelo escritor Ariano Suassuna. Para imprimir o propsito de criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular, na msica, Ariano criou a Orquestra Popular do Recife, inicialmente regida por Maestro Duda. A partir de 1977, a direo artstica e musical foi confiada a Ademir Arajo. Em funcionamento at os dias atuais, a orquestra de metais e palhetas pioneira na pesquisa e transcrio de gneros tradicionais, como maracatus, cocos, cirandas, reisados, caboclinhos, alm do frevo.

Em 1979, o jornalista Leonardo Dantas teve a ideia de levar o frevo aonde o povo estivesse e lanou a Frevioca: uma orquestra volante, com 32 msicos, sob regncia de Maestro Formiga e com frevos de Capiba cantados por Claudionor Germano. Enquanto isso, o trabalho com as bandas, gravaes de discos e produes musicais continuava. Formiga foi produtor musical e regente do disco Carnaval do Nordeste n 02 (Mocambo), em 1983. Em 1984, foi premiado pela Funarte por duas composies autorais em evento que visava inventariar O repertrio de ouro das bandas de msica do Brasil. Entre os anos de 1984 a 1991, foi maestro da Banda da Sinfnica da Cidade do Recife (a mesma Banda Municipal, agora sob outro nome). E no ano de 1988, atuou como diretor musical e regente do IX Encontro Nacional do Frevo e do Maracatu (Frevana).

Nas dcadas de 90 e 2000, o maestro comeou a excursionar por outros sons. Fez parcerias com msicos contemporneos e mostrou que no h limites para a criatividade. Ademir Arajo participou de uma produo artstica com o msico remanescente do movimento ManguebeatRogerman. Tambm integrou grandes parcerias com Silvrio Pessoa, Banda Eddie, Mundo Livre S.A, Nao Zumbi, a banda de heavy metal Sepultura e outros. Atualmente, Formiga est escrevendo uma obra para a Orquestra Criana Cidad, intitulada Crianas, sonhos e canes. A pea usa como base as canes tradicionais do Soldado, da Infantaria e do Expedicionrio. Estou em fase de reviso. A ideia fazer um agradecimento ao Exrcito por apoiar e acolher em suas instalaes um projeto to rico como a Orquestra Criana Cidad. Tambm pretendo que a minha composio incentive outros quartis a terem essa mesma iniciativa, pois a msica tudo. Atravs dela podemos ensinar disciplina e educar a criana para a vida, finaliza.

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