POR

/

ENG

Revistas

Perfil - Do piano aos pentagramas

Residente h mais de uma dcada nos Estados Unidos, a pianista Syrlane Moura transitou para os caminhos da composio como forma de continuar ligada a sua cidade natal.

- Paula Passos

Essa aqui vai ser pianista. Uma previso que se tornou realidade. O pai da pianista Syrlane Moura, 37, pronunciou a frase assim que ela nasceu e os caminhos foram direcionados para que o anncio se concretizasse. Desde muito cedo Syrlane recebeu a influncia do pai e da me, que sempre ouviam msica erudita em casa. Aos 6 anos, comeou a estudar Teoria Musical no Conservatrio Pernambucano de Msica (CPM) e, aos 7, iniciou as aulas de piano com a professora Hilda Nobre.

Gostava muito do piano, mas confesso que as aulas de Teoria Musical eram as minhas preferidas. Enquanto muitos dos meus coleguinhas detestavam ditado meldico e rtmico, eu no via a hora de chegar aula e fazer esses exerccios, afirma a pianista, em entrevista por e-mail.

Syrlane atribui o amor pela Harmonia e pela Teoria Musical aos bons professores que teve no CPM, como Paulo Barros. Ela e a irm, a violinista e professora da Orquestra Criana Cidad Susan Moura, tocavam desde cedo na Igreja Assembleia de Deus em Santo Amaro (Recife) e, segundo ela, essa vivncia facilitou o aprendizado para criar arranjos (verses de uma msica para determinada instrumentao) e fazer transposies (escrita de uma msica para uma tonalidade diferente da original).

UNIVERSIDADE - Em 1999, Syrlane prestou vestibular para a licenciatura em Msica na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Estudou na instituio por dois anos e meio e se mudou para os Estados Unidos com Susan. H 14 anos vivendo naquele pas, a pianista concluiu o bacharelado em Teoria da Composio na Universidade de Campbellsville, Estado do Kentucky, em vez de seguir a licenciatura.

Foi uma mudana importantssima na minha vida. Estudei por mais trs anos e me mudei para Dallas, onde finalmente terminei meu bacharelado pela Dallas BaptistUniversity. Da segui os estudos de composio com o mestrado pela Southern MethodistUniversity, tambm em Dallas, e me formei em 2012, conta. Atualmente, a compositora mora em Nova Iorque com o marido, Eduardo de Albuquerque, e continua compondo e realizando concertos pela cidade.

Para ela, a msica erudita nos Estados Unidos mais respeitada e apoiada do que no Brasil porque a exposio ao clssico vem desde cedo. Vejo que h mais investimento financeiro e mais oportunidades de exposio para os msicos aqui. A maioria das escolas de primeiro e segundo grau tem aulas de Msica na grade curricular; os alunos aprendem a tocar instrumentos e escolhem participar de grupos como: coro, orquestra, banda sinfnica, por exemplo,, explica.

O governo tambm tem um papel forte nas artes e, de acordo com a compositora, investe bastante em programas degratuitos, fazendo com que a populao conhea e aprecie a msica erudita, ao mesmo tempo que d oportunidade para msicos se apresentarem. Entretanto, Syrlane destaca sua admirao pelos colegas msicos brasileiros, que desempenham um trabalho de boa qualidade com pouco incentivo.

REGRESSO - Num futuro prximo, Syrlane e o marido pretendem voltar a morar no Brasil. Por mais que os Estados Unidos nos tenham dado tanta coisa boa, o Brasil a nossa casa. Desde o primeiro ano que morei aqui, sempre pensei em voltar a morar no Brasil, diz. Essa relao estreita com o pas de origem incentivou a pianista a escrever uma obra para a Orquestra Criana Cidad, que foi estreada em maro no Recife, no 1 Concerto Oficial da Temporada 2016, e teve o terceiro movimento executado no concerto da OCC na Igreja de Nossa Senhora da Pompeia, em Nova Iorque (vide pgina 23).

A ideia para a composio, intitulada, Trs movimentos para cordas e percusso, foi do maestro Nilson Galvo Jr., regente da OCC. Os dois se conhecem desde a infncia e estudaram juntos no Conservatrio Pernambucano de Msica e na CampbellsvilleUniversity. J compus uma pea para ele, para cello e piano, e sempre tivemos essa parceria musical. Nilson veio com a proposta de que eu escrevesse uma pea para a Orquestra, o que achei fantstico, porque sempre acreditei no poder transformador da msica, lembra.

Syrlane conta que demorou um pouco para decidir o que compor. Queria que fosse algo inteligente e criativo, com uma veia nordestina forte, mas que fosse acessvel e divertido para os meninos e as meninas, explica. A compositora comeou pelo segundo movimento, Saudade, no qual h uma mistura de bossa nova e baio. O primeiro movimento, chamado Folguedo, usa o ritmo de caboclinhos. Pensei nele como uma grande festa, a abertura de toda a obra, afirma. No terceiro e ltimo movimento, Recifando, Syrlane usa o frevo, Patrimnio Imaterial da Humanidade.

Atualmente, Syrlane compe uma pea para violino e piano para uma violinista de Hartford e, logo aps, comeou um duo para violino e cello, encomendado por Paula Bujes e Pedro Huff, professores da UFPE. Estou bem animada com esses dois projetos. Agora fao parte de uma companhia brasileira de pera aqui em Nova Iorque. Estamos com um projeto para compor uma pera para o prximo ano, numa colaborao entre trs compositoras brasileiras, conta. Num futuro prximo, a compositora pretende fazer realizar o sonho de fazer um concerto de suas obras na cidade natal.

PRXIMOS CONCERTOS

23/10/2017

Abertura da Semana Nacional de Cincia e Tecnologia

29/10/2017

Encerramento do 1 Festival do Livro do Ipojuca

Clique aqui e baixe a Cartilha Lei Rouanet

outras matrias desta edio



Apoio

Patrocnio

Patrocnio Master

  • Ipojuca

  • Coque

Realizao

Acompanhe-nos nas Redes Sociais

Contato

Contato para Eventos

Gabryella Boudoux

Fones: 81 3428.7600/81 9 9403.7296

E-mail: eventosocc@gmail.com

Assessoria de Imprensa

Carlos Eduardo Amaral

Fones: 81 3428.7600 | 81 9 8831-9700

E-mail: audicoes@gmail.com

Newsletter

Gesto

Onde h msica no pode haver maldade
Miguel de Cervantes

Zaite Tecnologia, Empresa desenvolvedora do site.