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Breakdance nas ruas do Recife

Tenso. Stress. Correria. Tumulto. Ruas barulhentas, quentes, e carros velozes. E l esto eles: meninos e meninas se virando como podem nos sinais da cidade. De carro em carro, arrumam um trocado. a busca pela sobrevivncia.

O dia a dia das metrpoles tem levado os jovens brasileiros ao trabalho infantil, de semforos para subempregos. Quem anda pelas ruas de uma cidade como o Recife, assiste, diariamente, faa chuva ou faa sol, a crianas e adolescentes explorados, desamparados, com seu futuro comprometido.

Normalmente, pedem para limpar os vidros dos carros, vendem chicletes ou chocolates. H um novo grupo, no entanto, de veia mais artstica: no intervalo do sinal vermelho para o verde, crianas e adolescentes fazem algum tipo de nmero performtico, que abrange desde malabarismo com pauzinhos e fogo a uma inovadora prtica de dana de rua. Caracterizados com roupas de artistas do hip hop, eles pulam, rodam, se jogam no cho, giram e se equilibram um grande esforo, que se compensa com a crescente qualificao, dana aps dana. Esse o Breakdance.

Que dana essa?

O Breakdance um estilo de dana de rua que faz parte da cultura do hip hop. Surgiu em Porto Rico, na dcada de 70, em protesto aos avies que caam no perodo da Guerra do Vietn. As pessoas comearam a girar de ponta-cabea, como um moinho de vento, imitando helicpteros caindo. Logo, chegou aos Estados Unidos, servindo como alternativa para a diminuio da criminalidade entre as grandes gangues de rua que tomavam Nova York. Os grupos rivais continuaram competindo entre si, mas sem armas e brigas apenas atravs da dana.

O Breakdance vai muito alm de uma forma simples de dana. , mesmo, mais do que um modo de vida para aqueles que amam o hip hop: atitude, arte, paixo. O Break expandiu-se para o mundo em 1981, sendo que, no Brasil, ganhou novos elementos, novos passos caractersticos da cultura tupiniquim.

ENFIM, A POPULARIZAO

J no causa estranheza observar as crianas artistas nos sinais da cidade. Elas se juntam principalmente nos semforos dos bairros da Torre, das Graas, de Boa Viagem e da Avenida Agamenon Magalhes. A performance comea com o cumprimento s pessoas que esto paradas em seus carros esperando o sinal abrir; depois, vem a dana. Os pequenos artistas realizam seus passos, agradecem, tiram o chapu de pano e partem em direo aos carros. Com sorte, recebem algo em troca.

Thiago Trajano, 17 anos, morador do Alto Jos Bonifcio, uma das inmeras crianas que passam o dia na rua, realizando pequenos bicos. Geralmente, ele fica nos sinais do bairro da Torre. Sua rotina bastante puxada: acorda cedo e chega s ruas s 7h30. Pausa na hora do almoo e, quando tem sorte, consegue uma quentinha em algum barzinho por perto. Se no conseguir, tem que comprar alguma coisa, mas nem sempre tem dinheiro suficiente para comprar uma refeio. Se o bolso est vazio, fica sem comer e continua o trabalho.

Thiago trabalha at as 20h, normalmente. Porm, se o lucro estiver bom, fica at mais tarde. Volta pra casa, toma banho, janta o que sua av preparou e comea a ensaiar, ao som do hip hop, novos passos para serem feitos nas prximas apresentaes. Thiago conta que resolveu ir aos sinais danar quando fazia capoeira atravs dela, passou a ter mais facilidade com o Breakdance. H trs anos, vem seguindo a mesma rotina, trabalhando de segunda a sbado e, caso necessrio, aos domingos tambm.

Mesmo tendo pai, me e irmos, Thiago mora a av, Ivonete. Com os ganhos que obtm, ajuda na renda da casa ele que, basicamente, sustenta o lar. Thiago estudou at a quinta srie do ensino fundamental. Sabe ler e escrever, mas, como muitas crianas, teve que largar os estudos para ajudar nas despesas.

As crianas artistas no vivem isoladas. Muitas formam grupos para ensaiar. Existe, por exemplo, um que treina no Parque da Jaqueira. Thiago faz parte dele. No h uma organizao que ajuda ou orienta esses jovens. simplesmente algo que parte da gente. Somos amigos, mas o lucro individual. A gente at curte o hip hop juntos, mas, na rua, cada um por si, conta.

O trabalho que Thiago tem feito fruto de uma necessidade. Apesar disso, ele pratica o Breakdance por amor arte. E, justamente por gostar muito, resolveu us-la como meio de vida. Eu dano e tal... trabalho porque eu amo o hip hop. Trs anos no brincadeira, diz.

Um dia, Thiago estava danando em um sinal perto da lanchonete Bugaloo, nas Graas. De repente, um carro para, baixa o vidro, e uma mulher aparece. Ela perguntou o nome dele, quantos anos ele tinha, onde morava, se ficava sempre por ali. Depois de responder ao questionrio da simptica moa, uma proposta: a participao em um comercial para uma faculdade do Cear.

Lgico que Thiago aceitou. Ele ficou muito feliz com o convite, no s pelo dinheiro, faz questo de ressaltar, mas pela oportunidade de mostrar o talento na TV. Isso caiu do cu pra mim. Estou muito empolgado. Vai ser muito bom, comemora o garoto, com um sorriso maior que o rosto.

Entrar em contato com uma criana artista uma experincia nica. So pessoas que, em demonstrao invejvel de pacincia, toleram cara feia, mau humor e desrespeito. So crianas e jovens que acham, nas ruas, uma oportunidade de desenvolver suas habilidades. So cheias de surpresas, brasileiros e brasileiras que lutam, todos os dias, por uma vida melhor. O que se pode fazer por elas? Muita coisa! O mnimo: dar um sorriso.

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